Sábias e verdadeiras, as palavras do Dr. Manuel Oliveira, pediatra do Afonso, quando o questionei sobre as sucessivas noites que o Afonso acordava de noite, por volta das 4h00 da manhã, a reclamar por um biberon de leite, e já tinha mais de 1 aninho...
A propósito da queda dos cabelos, muitas opiniões ouvi, a maioria de que devia usar uma peruca, por causa do menino. Certo, porém nunca me consegui imaginar de peruca, para mim foi ponto assente, desde o inicio, perucas não!
Na preocupação da reacção do meu menino, esqueci a dor de ficar sem cabelo e fui traçando cenários encantados imaginários, para atenuar docemente os sentimentos.
Já não podia passar de hoje, as dores do couro cabeludo já gritavam mais alto, o cabelo como que mais pesado que os galhos caía como as folhas no Outono, já não me pertenciam!
Com a mesma sensatez das palavras do pediatra e seguindo o meu coração, resolvi que o Afonso devia participar no corte radical do meu cabelo, como se de um conto de histórias se tratasse. Foi tão engraçado! Disse-lhe que íamos brincar aos cabeleireiros, disse-lhe que ia cortar o cabelo, para ele ir chamar o pai, para brincarmos os três.
- Vês meu amor, que divertido, o papá corta o cabelo à mamã.
- Queres ajudar o papá a cortar o cabelo da mãe? - Foi com um doce sorriso que prontamente disse que sim.
- Que giro brincar aos cabeleireiros. Vai buscar o banquinho pequenino para a mãe se sentar.
Dei-lhe a tesourinha dele e entusiasmado com uma canção a acompanhar " tic-tic" "tic-tic", o faz de conta ganhou vida e felizes cumprimos a tarefa. Pente três, um bom par de lenços e gorros, e vou aquecer e colorir a minha cabeça durante os próximos meses. O Afonso adorou os chapéus da mamã. Ao sabor da inocência de uma criança, tornam-se mágicos e cheios de ternura, os momentos mais difíceis e cruéis.

