Os doces seios. Símbolo de feminilidade, seja quando evoca a mulher como fonte de vida e alimento, seja quando a evoca como fonte de prazer, afecto e aconchego. Os meus doces seios, talvez porque nunca os adorei, indignaram-se. Indignaram-se e traíram-me. Os mesmos que se negaram a colorir a minha feminilidade, tímidos nunca ganharam cor nem forma. Os mesmos que quando invocados à vida se retraíram, teimosos negaram alimentar. Sem mais vontade ignorei-os. Privada de resposta, questionei. Mamas? ...para que vos quero?. Em vagos pensamentos considerei que, um dia, poderia, com o poder do bisturi, restituir-lhes a cor e forma, livra-los da sua timidez e teimosia. Mas os meus tímidos e teimosos seios, talvez cansados da sua futilidade, refutaram. Agora, mais unidos do que nunca e em pura harmonia, enfrentamos juntos o inimigo com a indubitável certeza de que na Primavera será cumprido o desígnio. Num corte incisivo, o poderoso bisturi dará o golpe e ficaremos livres. No teu vazio vou plantar uma flor que vai florir, colorir e dar forma ao meu peito. Para trás, vou deixar a doce recordação dos seios que desde sempre se recusaram a ser um símbolo de feminilidade.
